terça-feira, 30 de novembro de 2010

ave maria do cerrado

o melindre dos olhos pequenos
segurou-me desde então
guardava o vício de um doce veneno
pois não soube dizer não

tornaram-se cada vez mais frequentes
tu e eu e teus trapos tão vivos
quando o lúgubre punha-se à frente
sabedoria descomedida, o conselho e a despedida

se não sabemos o que fazer
a literatura nos dá as asas
e se a música é parte do ser
timbram as nossas almas

fazes-me sempre em tua arte
acreditar-me mais capaz
trazes-me um faz de conta loquaz
que insiste em pincelar-me

se algum dia trabalho te dei
foi por haver algo de materno
se há um dia que seja teu
que ele seja, a ti, eterno

(à fabiana)

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